quarta-feira, 21 de setembro de 2022

SOBRE O LIVRO DO PROFETA JONAS

 


CONSIDERAÇÕES ACERCA DO LIVRO DE JONAS

Dia desses peguei a bíblia e abri no livro de Jonas. Eu já o tinha lido antes, mas dessa vez foi diferente porque ao final da leitura eu fiquei refletindo e percebi que em tantos momentos ainda sou como Jonas e reconheci que perdoar e agir com misericórdia nem sempre é fácil.

Jonas é um livro pequeno composto de apenas quatro capítulos.

No primeiro capítulo Deus ordena ao profeta Jonas que vá até a cidade de Nínive com a missão de pregar contra ela e anunciar a sua destruição por causa da sua malignidade. Jonas com medo, foge da presença do Senhor e ao invés de ir para Nínive, toma um navio para a cidade de Társis. Ao longo da viagem Deus envia uma forte tempestade que causa pânico aos ocupantes do navio o que faz com que eles passem a orar cada um para seu próprio deus e clamar por suas vidas. Enquanto isso, Jonas dorme profundamente no porão do navio o que causa grande desconfiança na tripulação. Ao ser questionado, ele conta sua história e assume que o que está acontecendo é culpa sua então diz que devem lançá-lo ao mar, pois sabe que só assim a tempestade vai passar. Os marinheiros ainda tentam levar o navio seguro para a terra, porém o mar fica cada vez mais revolto. Por isso eles suplicam a Deus por suas vidas e lançam Jonas ao mar que logo se acalma. Com isso, passam a louvar e adorar ao Senhor oferendo sacrifícios e fazendo votos. Contudo, Deus envia um grande peixe que engole Jonas e dentro do qual ele passa três dias e três noites.

No segundo capítulo temos a oração de Jonas na qual ele reconhece que esteve à beira da morte e longe da presença de Deus. No entanto sua oração sobe até a presença do Senhor e Jonas promete oferecer sacrifícios com voz de ações de graças e cumprir fielmente tudo o que prometeu. Então Deus ordena ao peixe vomitar Jonas na praia.

No terceiro capítulo vemos Deus falando novamente com Jonas acerca de sua missão em Nínive.  O profeta entra na cidade e durante um dia inteiro proclama conforme o Senhor lhe havia orientado: “Eis que daqui a quarenta dias Nínive será destruída”. (cap.3, v.4). Então todos creram, reconheceram seus pecados e se arrependeram, inclusive o rei que baixou um decreto proclamando um jejum (até mesmo entre os animais) ordenando ao povo que abandonasse os maus caminhos e clamasse a Deus a fim de que Ele desistisse de destruí-los. E Deus observou a conversão daquele povo e atendeu as suas orações e decidiu não destruir a cidade como havia ameaçado.

O quarto e último capítulo mostra a ira de Jonas por causa da misericórdia de Deus e seu amor para com o próximo. Ele reconhece que Deus é bom e perdoa aqueles que se arrependem sinceramente. No entanto, não se conforma por Deus ter perdoado aquele povo mau e pecador o qual antes havia ameaçado destruir. Jonas inconsolável a ponto de preferir morrer do que continuar vivendo, vai para longe para ficar observando o que mais aconteceria com aquela cidade, mas Deus ainda prepara uma lição para Jonas e que também nos é um grande ensinamento. O Senhor faz crescer um arbusto para fornecer sombra e conforto a Jonas que fica bastante alegre. Porém, no outro dia Deus envia uma lagarta que destrói o arbusto deixando Jonas exposto ao calor intenso o que o faz quase perder os sentidos. Logo ele passa a lamentar e novamente diz que prefere morrer a continuar vivendo, ao que Deus questiona Jonas como seria possível ele se compadecer de uma planta que sequer havia cuidado, pois ela nasceu em uma noite e morreu na outra? E como poderia Ele então, o próprio Deus não se compadecer de mais de cento e vinte mil seres humanos que sequer sabiam distinguir a mão direita da esquerda, quanto mais o bem do mal?

 O que podemos aprender com o livro de Jonas?

Uma primeira lição é que não podemos nos esconder de Deus. Sabemos que Ele é onipresente, e não importa o quão longe possamos ir Ele estará lá. Jonas tentou fugir da presença de Deus e teve consequências ao longo da viagem.

Assim como Jonas, por medo ou teimosia, recusamos ao chamado do Senhor e atraímos sofrimento para nossa vida. O que Deus espera de nós é que tenhamos fé e confiança Nele, porque é Ele quem nos sustenta ao longo do caminho. Essa confiança vamos adquirindo quando reavivamos nossa fé e cremos nas suas promessas. É lendo a Palavra, orando e buscando por Ele diariamente que nos aproximamos mais de Deus. Em nossas orações devemos sempre pedir para que Ele nos conduza ao centro da sua vontade tornando nossos ouvidos sensíveis e atentos à sua voz. Nos momentos de dúvida e de medo é quando mais devemos nos prostrar diante Dele e admitir que somos totalmente dependentes da Sua vontade assim como o próprio Jesus o fez antes de ser preso no Getsêmani (Mateus 26:39): “E adiantando-se um pouco, prostrou-se com o rosto em terra e orou, dizendo:  Meu Pai, se é possível, passa de mim este cálice; todavia, não seja como eu quero, mas como tu queres.

Outra lição que Jonas nos ensina é que Deus é soberano e seus planos são perfeitos. Quando Deus envia a tempestade e o pânico toma conta da tripulação todos passam a orar, cada um para os seu deus. O capitão do navio vai conversar com Jonas que confessa sua origem e a sua desobediência ao Senhor. Nesse momento o capitão crê e faz o que o profeta o orienta que é lança-lo ao mar para acalmar a tempestade e então todos creem (Jonas 1:14-16): “Por isso clamaram ao Senhor, e disseram: Nós te rogamos, ó Senhor, que não pereçamos por causa da vida deste homem, e que não ponhas sobre nós o sangue inocente; porque tu, Senhor, fizeste como te aprouve. Então levantaram a Jonas, e o lançaram ao mar; e cessou o mar da sua fúria. Temeram, pois, os homens ao Senhor com grande temor; e ofereceram sacrifícios ao Senhor, e fizeram votos.”

Os homens do navio creram e obedeceram obtendo assim a graça e o perdão de Deus por reconheceram que Ele é soberano. O mesmo aconteceu quando Jonas foi engolido pelo peixe e dentro dele se arrependeu e orou buscando pelo Senhor. Ele foi poupado e recebeu uma segunda chance para cumprir o seu chamado.

Deus é misericordioso mesmo quando nem merecermos e Ele nos perdoa e nos ajuda. A ira de Jonas se deu por não compreender naquele momento a graça desse amor e a misericórdia de Deus para com os pecadores.

Para o homem que era um profeta chamado pelo próprio Deus foi difícil assimilar tamanho ato de amor. Será que para nós também não o seria em algum momento? Não cabe a nós questionarmos a vontade de Deus. Sabemos que Ele é o criador de tudo e que antes Dele nada existia. Como está escrito em Romanos 9:19-20: Certamente me perguntarás: “Por que Deus ainda nos culpa? Pois, quem pode se opor à sua vontade?Todavia, quem és tu, ó homem, para questionares a Deus? “Acaso aquilo que é criado pode interpelar seu criador dizendo: ‘Por que me fizeste assim?’ ...”

Assim como foi para Jonas, certamente o ato de perdoar já foi muito difícil para mim e para você, ainda mais quando “julgávamos” que o outro não merecia. Nós somos falhos assim mesmo, mas Deus não! É um trabalho contínuo e que precisamos exercitar todos os dias perdoar 70x7 assim como Jesus ensinou (Mateus 18:22). Este também é um ensinamento que recebemos quando Jonas se lamenta pelo arbusto que Deus providenciou em uma noite e na outra o destruiu. O Senhor questiona Jonas (cap.4, v.9): “Tens algum motivo para estares tão furioso por causa da planta?”, ao que Jonas responde que sim e repete que está muito irado e prefere a morte. É nesse momento que Deus nos mostra o quanto é capaz de perdoar e amar a sua criação. Ao ponderar que Jonas teve mais compaixão da planta que tão rapidamente surgiu como desapareceu, Ele também nos confronta das vezes em que nos compadecemos e lamentamos a perda de coisas mínimas e fúteis que podem facilmente serem substituídas ou que nem mesmo nos fariam falta. O que dizer do Criador que fez seus filhos a sua imagem e semelhança? Como poderia Ele se alegrar com a destruição de tantos homens que ouviram a sua voz (através do profeta) e finalmente reconheceram seus pecados e se arrependeram buscando perdão? Jonas lamentou, tanto por sua missão ter sido concluída com sucesso, afinal os ninivitas creram e se arrependeram, quanto por ele próprio reconhecer que Deus é “misericordioso, compassivo, longânime, rico em amor e que ameaça castigar mas se arrepende” (cap.4, v.2).

Que consigamos refletir sobre este livro, sobre as ações de Jonas e seus sentimentos e principalmente sobre o ato de amar e perdoar. Que saibamos buscar ao Senhor nos momentos de fraqueza e de medo, pois Ele é o nosso escudo e a nossa rocha, nosso Deus misericordioso e amoroso.  A Ele seja dada toda Glória!


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