CONSIDERAÇÕES ACERCA DO LIVRO DE JONAS
Dia desses peguei a bíblia e abri
no livro de Jonas. Eu já o tinha lido antes, mas dessa vez foi diferente porque
ao final da leitura eu fiquei refletindo e percebi que em tantos momentos ainda
sou como Jonas e reconheci que perdoar e agir com misericórdia nem sempre é
fácil.
Jonas é um livro pequeno composto
de apenas quatro capítulos.
No primeiro capítulo Deus ordena ao
profeta Jonas que vá até a cidade de Nínive com a missão de pregar contra ela e
anunciar a sua destruição por causa da sua malignidade. Jonas com medo, foge da
presença do Senhor e ao invés de ir para Nínive, toma um navio para a cidade de
Társis. Ao longo da viagem Deus envia uma forte tempestade que causa pânico aos
ocupantes do navio o que faz com que eles passem a orar cada um para seu
próprio deus e clamar por suas vidas. Enquanto isso, Jonas dorme profundamente
no porão do navio o que causa grande desconfiança na tripulação. Ao ser
questionado, ele conta sua história e assume que o que está acontecendo é culpa sua
então diz que devem lançá-lo ao mar, pois sabe que só assim a tempestade vai passar.
Os marinheiros ainda tentam levar o navio seguro para a terra, porém o mar fica
cada vez mais revolto. Por isso eles suplicam a Deus por suas vidas e lançam
Jonas ao mar que logo se acalma. Com isso, passam a louvar e adorar ao Senhor
oferendo sacrifícios e fazendo votos. Contudo, Deus envia um grande peixe que
engole Jonas e dentro do qual ele passa três dias e três noites.
No segundo capítulo temos a
oração de Jonas na qual ele reconhece que esteve à beira da morte e longe da
presença de Deus. No entanto sua oração sobe até a presença do Senhor e Jonas
promete oferecer sacrifícios com voz de ações de graças e cumprir fielmente
tudo o que prometeu. Então Deus ordena ao peixe vomitar Jonas na praia.
No terceiro capítulo vemos Deus
falando novamente com Jonas acerca de sua missão em Nínive. O profeta entra na cidade e durante um dia
inteiro proclama conforme o Senhor lhe havia orientado: “Eis que daqui a quarenta dias Nínive será destruída”. (cap.3, v.4).
Então todos creram, reconheceram seus pecados e se arrependeram, inclusive o
rei que baixou um decreto proclamando um jejum (até mesmo entre os animais)
ordenando ao povo que abandonasse os maus caminhos e clamasse a Deus a fim de
que Ele desistisse de destruí-los. E Deus observou a conversão daquele povo e
atendeu as suas orações e decidiu não destruir a cidade como havia ameaçado.
O quarto e último capítulo mostra
a ira de Jonas por causa da misericórdia de Deus e seu amor para com o próximo.
Ele reconhece que Deus é bom e perdoa aqueles que se arrependem sinceramente.
No entanto, não se conforma por Deus ter perdoado aquele povo mau e pecador o
qual antes havia ameaçado destruir. Jonas inconsolável a ponto de preferir
morrer do que continuar vivendo, vai para longe para ficar observando o que mais
aconteceria com aquela cidade, mas Deus ainda prepara uma lição para Jonas e
que também nos é um grande ensinamento. O Senhor faz crescer um arbusto para
fornecer sombra e conforto a Jonas que fica bastante alegre. Porém, no outro
dia Deus envia uma lagarta que destrói o arbusto deixando Jonas exposto ao
calor intenso o que o faz quase perder os sentidos. Logo ele passa a lamentar e
novamente diz que prefere morrer a continuar vivendo, ao que Deus questiona
Jonas como seria possível ele se compadecer de uma planta que sequer havia
cuidado, pois ela nasceu em uma noite e morreu na outra? E como poderia Ele
então, o próprio Deus não se compadecer de mais de cento e vinte mil seres
humanos que sequer sabiam distinguir a mão direita da esquerda, quanto mais o
bem do mal?
O que podemos aprender com o livro de Jonas?
Uma primeira lição é que não
podemos nos esconder de Deus. Sabemos que Ele é onipresente, e não importa o
quão longe possamos ir Ele estará lá. Jonas tentou fugir da presença de Deus e
teve consequências ao longo da viagem.
Assim como Jonas, por medo ou
teimosia, recusamos ao chamado do Senhor e atraímos sofrimento para nossa vida.
O que Deus espera de nós é que tenhamos fé e confiança Nele, porque é Ele quem nos
sustenta ao longo do caminho. Essa confiança vamos adquirindo quando reavivamos
nossa fé e cremos nas suas promessas. É lendo a Palavra, orando e buscando por
Ele diariamente que nos aproximamos mais de Deus. Em nossas orações devemos
sempre pedir para que Ele nos conduza ao centro da sua vontade tornando nossos
ouvidos sensíveis e atentos à sua voz. Nos momentos de dúvida e de medo é quando
mais devemos nos prostrar diante Dele e admitir que somos totalmente
dependentes da Sua vontade assim como o próprio Jesus o fez antes de ser preso
no Getsêmani (Mateus 26:39): “E
adiantando-se um pouco, prostrou-se com o rosto em terra e orou, dizendo: Meu Pai, se é possível, passa de mim este
cálice; todavia, não seja como eu quero, mas como tu queres.”
Outra lição que Jonas nos ensina
é que Deus é soberano e seus planos são perfeitos. Quando Deus envia a
tempestade e o pânico toma conta da tripulação todos passam a orar, cada um
para os seu deus. O capitão do navio vai conversar com Jonas que confessa sua
origem e a sua desobediência ao Senhor. Nesse momento o capitão crê e faz o que
o profeta o orienta que é lança-lo ao mar para acalmar a tempestade e então
todos creem (Jonas 1:14-16): “Por isso clamaram
ao Senhor, e disseram: Nós te rogamos, ó Senhor, que não pereçamos por causa da
vida deste homem, e que não ponhas sobre nós o sangue inocente; porque tu,
Senhor, fizeste como te aprouve. Então levantaram a Jonas, e o lançaram ao mar;
e cessou o mar da sua fúria. Temeram, pois, os homens ao Senhor com grande
temor; e ofereceram sacrifícios ao Senhor, e fizeram votos.”
Os homens do navio creram e
obedeceram obtendo assim a graça e o perdão de Deus por reconheceram que Ele é
soberano. O mesmo aconteceu quando Jonas foi engolido pelo peixe e dentro dele
se arrependeu e orou buscando pelo Senhor. Ele foi poupado e recebeu uma
segunda chance para cumprir o seu chamado.
Deus é misericordioso mesmo quando
nem merecermos e Ele nos perdoa e nos ajuda. A ira de Jonas se deu por não compreender
naquele momento a graça desse amor e a misericórdia de Deus para com os
pecadores.
Para o homem que era um profeta
chamado pelo próprio Deus foi difícil assimilar tamanho ato de amor. Será que
para nós também não o seria em algum momento? Não cabe a nós questionarmos a
vontade de Deus. Sabemos que Ele é o criador de tudo e que antes Dele nada
existia. Como está escrito em Romanos 9:19-20: Certamente me perguntarás: “Por que Deus ainda nos culpa? Pois, quem
pode se opor à sua vontade?” Todavia,
quem és tu, ó homem, para questionares a Deus? “Acaso aquilo que é criado pode
interpelar seu criador dizendo: ‘Por que me fizeste assim?’ ...”
Assim como foi para Jonas,
certamente o ato de perdoar já foi muito difícil para mim e para você, ainda
mais quando “julgávamos” que o outro não merecia. Nós somos falhos assim mesmo,
mas Deus não! É um trabalho contínuo e que precisamos exercitar todos os dias
perdoar 70x7 assim como Jesus ensinou (Mateus 18:22). Este também é um
ensinamento que recebemos quando Jonas se lamenta pelo arbusto que Deus
providenciou em uma noite e na outra o destruiu. O Senhor questiona Jonas
(cap.4, v.9): “Tens algum motivo para
estares tão furioso por causa da planta?”, ao que Jonas responde que sim e
repete que está muito irado e prefere a morte. É nesse momento que Deus nos
mostra o quanto é capaz de perdoar e amar a sua criação. Ao ponderar que Jonas
teve mais compaixão da planta que tão rapidamente surgiu como desapareceu, Ele
também nos confronta das vezes em que nos compadecemos e lamentamos a perda de
coisas mínimas e fúteis que podem facilmente serem substituídas ou que nem mesmo
nos fariam falta. O que dizer do Criador que fez seus filhos a sua imagem e
semelhança? Como poderia Ele se alegrar com a destruição de tantos homens que ouviram
a sua voz (através do profeta) e finalmente reconheceram seus pecados e se arrependeram
buscando perdão? Jonas lamentou, tanto por sua missão ter sido concluída com
sucesso, afinal os ninivitas creram e se arrependeram, quanto por ele próprio reconhecer
que Deus é “misericordioso, compassivo, longânime, rico em amor e que ameaça
castigar mas se arrepende” (cap.4, v.2).
Que consigamos refletir sobre
este livro, sobre as ações de Jonas e seus sentimentos e principalmente sobre o
ato de amar e perdoar. Que saibamos buscar ao Senhor nos momentos de fraqueza e
de medo, pois Ele é o nosso escudo e a nossa rocha, nosso Deus misericordioso e
amoroso. A Ele seja dada toda Glória!

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